quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

♥ Tudo o que conquistei na vida...


 1 de Dezembro de 2010 
Tudo o que conquistei na vida...

A fértil pena de William Shakespeare descreveu as alturas majestosas, o pináculo do poder alcançados pelo cardeal Wolsey. Aquela mesma pena descreveu como os princípios foram arruinados pela vã ambição, pelo oportunismo, pela ânsia de privilégios. Seguiram-se então a trágica queda e o doloroso lamento de alguém que teve todas as coisas e perdeu tudo. As palavras são extremamente belas, quase semelhantes às escrituras.
Dirigindo-se a Cromwell, seu fiel servo, o cardeal Wolsey diz:


Quando eu cair no esquecimento, como decerto há de acontecer,
E no frio e opaco mármore for sepultado, de onde jamais
Se ouvirá falar de mim novamente, dize que eu te ensinei;
Dize que Wolsey, que já trilhou a senda da glória
E explorou todas as profundezas e as alturas da honra,
Mostrou o caminho para ti (...);
Um caminho certo e seguro, embora teu mestre dele se tenha desviado.
Atenta para a minha queda e para o motivo da minha ruína.
(...) Foge da ambição:
Por causa desse pecado anjos caíram; como, pois, poderia o homem
Por meio dele esperar alcançar a imagem de Seu Criador?
Esquece-te de ti mesmo. Ama aqueles que te odeiam (...)
(...) Tudo que conquistei na vida,
Até a última moeda, pertence ao rei: Meu manto
E minha integridade perante o céu é tudo
Que ouso chamar de meu.
Oh, Cromwell, Cromwell!
Se eu tivesse servido meu Deus com metade da devoção
Com que servi meu rei, Ele certamente não me abandonaria agora,
Deixando-me à mercê de meus inimigos.
(Rei Henrique VIII, ato 3, cena 2, versos 435-457.)

Citado por Thomas Spencer Monson.

Aquele leme celeste que teria sido sempre um guia para a segurança ficou arruinado na busca do poder e no empenho de alcançar uma posição elevada. Como aconteceu com outros antes dele e muitos outros depois, o cardeal Wolsey caiu.

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